segunda-feira, 2 de março de 2015

Ensaio Literário


Como disse Rousseau  em seu primeiro volume da filosofia renascentista: “A vida é sempre contemporânea nas profundezas do apocalipse”...

         É impossível, sob a ótica da literatura francesa, diferenciar a Nouvelle Vague do Romantismo. Ambos sofreram profunda influência do toque da alma dos autores, atormentados que foram pelo fantasma da desigualdade e racismo. Mas, por outro lado, dedicaram suas vidas ao   amor pela mulher amada, o que trouxe inspiração e, ao mesmo tempo, revolta pela rejeição.  Suas obras, por isso, permanecem até hoje referências profundas aos admiradores do Renascentismo.

         A Literatura do século passado sofreu amarga influência política das duas guerras e do avanço da tecnologia. Nem jornal se lê mais direito, quanto menos livros... Quem é que já leu “A Saga de Peristeu”, ou “A Revolta de Andrômeda”, ou “O Retorno De Quem Nunca Partiu?  Certamente pouquíssimos. Quem é hoje que, fora do mundo acadêmico, sabe interpretar corretamente o estilo romanesco da literatura canadense? E por aí vai...

          Mas o que é mais preocupante é que o leitor anda desatento ao que lê. Na maioria dos casos ele não consegue perceber a profusão de proparoxítonas afônicas do discurso de Shakespeare, o que lhe rouba, portanto, toda a sutileza do livre pensamento catatônico. Esse leitor desatento está aos poucos conduzindo a literatura universal às  masmorras de Brasília.

         Enfim, mais vale ser rei de tuas angústias, do que escravo de tuas ambivalências...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Posto que é chama...

É o que dizia Vinícius ao se referir ao amor que vai acabar. Ou melhor, que todo amor vai acabar. Mas, que seja infinito enquanto dure, dizia ele. Em outras palavras, todo amor é efêmero e é bom que seja assim, pois é a única forma de ser intenso. E sendo intenso, quando acaba traz o sofrimento... E é bom que seja assim, senão não haveria tanta música maravilhosa.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Música Que Mais Me Emociona...

Amigo é Para Essas Coisas


MPB4


Composição: Silvio Silva Júnior/Aldir Blanc

- Salve!

- Como é que vai?

- Amigo, há quanto tempo!

- Um ano ou mais...

- Posso sentar um pouco?

- Faça o favor

- A vida é um dilema

- Nem sempre vale a pena...

- Pô...

- O que é que há?

- Rosa acabou comigo

- Meu Deus, por quê?

- Nem Deus sabe o motivo

- Deus é bom

- Mas não foi bom pra mim

- Todo amor um dia chega ao fim

- Triste

- É sempre assim

- Eu desejava um trago

- Garçom, mais dois

- Não sei quando eu lhe pago

- Se vê depois

- Estou desempregado

- Você está mais velho

- É

- Vida ruim

- Você está bem disposto

- Também sofri

- Mas não se vê no rosto

- Pode ser...

- Você foi mais feliz

- Dei mais sorte com a Beatriz

- Pois é

- Pra frente é que se anda

- Você se lembra dela?

- Não

- Lhe apresentei

- Minha memória é fogo!

- E o l´argent?

- Defendo algum no jogo

- E amanhã?

- Que bom se eu morresse!

- Prá quê, rapaz?

- Talvez Rosa sofresse

- Vá atrás!

- Na morte a gente esquece

- Mas no amor agente fica em paz

- Adeus

- Toma mais um

- Já amolei bastante

- De jeito algum!

- Muito obrigado, amigo

- Não tem de quê

- Por você ter me ouvido

- Amigo é prá essas coisas

- Tá...

- Tome um cabral

- Sua amizade basta

- Pode faltar

- O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Paraprosdokian

Paraprosdokian (do Grego "παρα-", significando "além" e "προσδοκία", significando "expectativa") é uma figura de linguagem na qual a última parte da frase é uma surpresa, de tal forma que faz o leitor ou ouvinte refazer a primeira parte. É frequentemente usada para efeito humorístico ou dramático, às vezes produzindo um anticlimax. Por esta razão, é muito popular entre comediantes em suas sátiras. Veja alguns exemplos abaixo:




Ø Eu pedi a Deus uma bicicleta, mas eu sei que Deus não trabalha dessa forma. Por isso, eu roubei uma bicicleta e pedi perdão..


Ø Não discuta com um idiota. Ele vai arrastar você pro nível dele e derrotá-lo por ser experiente.


Ø A última coisa que eu quero é machucar você. Mas, isso ainda está na minha lista.

Ø A luz viaja mais rápido do que o som. É por isso que algumas pessoas parecem brilhantes até que você as ouve falando.

Ø Se eu concordar com você, estaremos nós dois errados.

Ø O pássaro que madruga apanha a minhoca, mas é o segundo rato que apanha o queijo.

Ø O Jornal da Noite é onde eles começam com um “Boa Noite” e continuam até provar que não é uma boa noite.


Ø Roubar idéias de uma pessoa é plágio. Roubar de muitas é pesquisa.

Ø Um banco é um lugar que vai lhe emprestar dinheiro, se você pode provar que não precisa desse empréstimo.

Ø Por que uma pessoa acredita em você quando você diz que existem quatro bilhões de estrelas, mas vai checar quando você diz que a tinta está fresca?

Ø Por que os Americanos escolhem entre apenas dois candidatos para presidente e entre 50 para Miss America?


Ø Por trás de todo homem bem sucedido está sua mulher. Por trás do fracasso desse mesmo homem bem sucedido está normalmente uma outra mulher.

Ø Procure sempre tomar dinheiro emprestado de um pessimista. Ele não vai esperar que você pague mesmo.

Ø Um diplomata é alguém que pode mandar você para o inferno de tal forma que você vai ficar ansioso pela viagem.

Ø Hospitalidade: fazer seus convidados se sentirem como se estivessem em suas próprias casas, mesmo sendo o que você mais gostaria.

Ø Eu era muito indeciso. Agora não tenho muita certeza.


Ø Você nunca é velho demais para aprender alguma coisa estúpida.

Ø Para ter certeza de atingir o alvo, atire primeiro e chame de alvo qualquer coisa que você tenha atingido.

Ø Algumas pessoas ouvem vozes. Outras vêem pessoas invisíveis. Outras não têm um pingo de imaginação.

domingo, 7 de novembro de 2010

A Tragédia Evitada

O meu cachorro Leco só corre ao redor da piscina no sentido anti-horário e isso me intrigava. Por que seria só no sentido anti-horário? Não que isso fosse importante, mas alguma coisa me dizia que poderia ser... E ainda ser muito mais importante do que uma descompromissada e leviana consideração sobre esse assunto pudesse levar a supor. Então, num belo dia, ao som de Oscar Peterson e inspirado pela terceira taça de um Cartuxa, tive um insight. Claro! Disse pra mim mesmo... Como não percebi isso antes? A resposta está na galáxia Andrômeda através dos seus vapores de tungstênio que provocam um refluxo endocósmico, que, já está provado, é o responsável pelo movimento de rotação do nosso planeta que, não por coincidência, é no sentido anti-horário.  O dia e a noite, os fusos horários, o nosso bom humor, as cotações da bolsa e tantas coisas mais dependem visceralmente desses peremptórios vapores de tungstênio... Houve alguns dias em que estive tentado a fazer o meu cachorro mudar o sentido do seu rodopio... Agora, depois dessa constatação, fico apavorado só de pensar nas conseqüências que adviriam desse meu ato insano... Se eu forçasse o Leco a rodar no outro sentido, certamente terríveis catástrofes iriam acometer nosso planeta e, muito provavelmente, todo o nosso sistema solar. Eu iria me sentir muito mal se fosse eu o responsável por toda essa tragédia. Nunca iria me perdoar por isso. Mas, felizmente, eu me contive quanto aos meus impulsos naturais de contestar tudo o que se movimenta (com exceção do movimento dos quadris da mulata, é claro...) e deixei meu cachorro em paz em sua obstinação pelo anti-horário. Hoje continuo ouvindo Oscar Peterson e tomando um vinho mais barato (o Cartuxa não dá mais pra comprar...) e com a consciência tranqüila de não ter feito uma incomensurável besteira...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Acaba?

O amor acaba.  Acaba pra todo mundo? Sim, pra todos, menos pro poeta. Talvez porque assim como um político vive de falcatruas, um engenheiro de projetos, um poeta precisa do amor pra continuar vivendo. Mas ele sofre mais, porque o seu verdadeiro combustível é o amor passado, que não deu certo. O amor presente é uma felicidade efêmera, que inevitavelmente dará lugar a uma tristeza futura... E é disso que ele se alimenta... E quem é que não tem um pouco de poeta dentro de si?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Reflexões Sobre Os Sexagerários

O que mais lemos na internet é incentivo a valorizar a vida, a superar os problemas, a ter uma atitude otimista, a, mais que tudo, entender que a vida é uma só e que, portanto, devemos batalhar contra os problemas que todos temos... É correto, poético, econômico, ecológico, pragmático e mais duzentos e setenta e quatro adjetivos alinhados. Mas, sem querer ser lúgubre e dramático, não valeria a pena pelo menos colocar como contraponto o inverso? Pelo menos, pra reforçar a corrente otimista a favor de preservar a vida a qualquer custo? É muito mais fácil defender a preservação da vida a qualquer custo, com base na religião, nos valores convencionais da sociedade, na "moralidade", etc, do que colocar em discussão se não deveria existir um preço aceitável. Um sofrimento físico, mental ou moral, não poderia ser um limite para o proprietário da vida decidir sobre o que fazer com ela? É claro que não tenho uma posição a defender e muito menos a pretenção de ter argumentos diante dessa mais complexa de todas as equações pessoais... Mas, entre uma taça de vinho e a próxima, vou desenvolvendo a minha solução...