Estapafúrdio era o seu nome. Vivia chafurdando na lama da politicagem em busca de mais um voto de algum iconoclasta que estivesse absorto em suas peremptórias metabolizações e que, assim, não lhe negaria o tal voto. Também se interessava pelo voto dos fariseus, judeus, filisteus e até de Deus, se fosse possível. Seu propósito, se eleito, era obsceno: mentir sobre tudo, desde a intermediação de paz ou guerra entre nações até o agendamento de turismo cósmico. Dessa forma criaria uma imagem de si mesmo que o próprio espelho se recusaria a refletir.
Chegou o dia da votação. Voto ou veto? O povo decidiria pelo pior certamente, como sempre acontecera. Assim Estapafúrdio esperava ser eleito, mas antes da abertura da urna eletrônica uma bala desgovernada alojou-se no seu joelho esquerdo. Seria um aviso? Uma ameaça? Corre-corre pra cá, corre-corre pra lá, ambulância, sindicância, protuberância dos gorilas de plantão, etc. Mas nada da verdade aparecer. Aturdido, Estapafúrdio conjecturou que seu joelho era mais importante do que o Oriente Médio e, assim, renunciou à sua candidatura. Mas a grande contradição foi que sua votação fora esmagadora, votos agora jogados ao léu, creditados a ninguém. A comoção foi avassaladora, a tristeza insuportável. Até que uma rodada de cachaça trouxe tudo à normalidade novamente...
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sonetinho Sem Vergonha
Do abutre as vísceras solapadas,
Pois muito tempo o tédio ruminara,
Exortaram a hóstia inacabada
Que no vil templo Apolo sepultara
E do cume a cósmica visão
Que Helena impingira ao sacripanta
Do dino povo fornica a razão
E a dor semeia, e a desgraça planta
Por mais maldito do medo, o grilhão
Aos torpes sábios a fome arrebata
Quando a virgem do ventre o embrião
Extirpa, descoberta a fronte e a pata,
Enquanto o genocídio ao sacro pão
O profeta ergue e o palhaço mata...
Pois muito tempo o tédio ruminara,
Exortaram a hóstia inacabada
Que no vil templo Apolo sepultara
E do cume a cósmica visão
Que Helena impingira ao sacripanta
Do dino povo fornica a razão
E a dor semeia, e a desgraça planta
Por mais maldito do medo, o grilhão
Aos torpes sábios a fome arrebata
Quando a virgem do ventre o embrião
Extirpa, descoberta a fronte e a pata,
Enquanto o genocídio ao sacro pão
O profeta ergue e o palhaço mata...
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